o corpo estirado - virgem - ensanguentado,
um poeta apedrejado, deitado na vala, na esquina, nos escuros becos,
nos imundos circos da diversão humana,
bárbaros sem pai nem mãe, cheirando a esgoto
Paulo cachorro louco
morto de raiva, de cólera, de fome,
malditas formigas around teu corpo
fourmigas fourmigas fourmigas fourmigas
twomigas onemiga mil ini migas
correndo feito louco, desvairado, seis adolescentes, remanescentes, com fantasias de carnaval
transvestidos de palhaço, colombina, pirata, polícia e ladrão, assaltam um bar,
levam cinco vodkas, um rum (umhum), três seletas, trezentos reais,
uma caixa de ovo de codorna, uma dúzia, trocando seis por meia,
uma dose de uísque, três copos quebrados e um tabefe na careca de seu galego, dono do boteco.
correndo sem fim, explodindo de álcool-som-fúria-vômito-esperma-suor
um gozo à eternidade efêmera das coisas !!!
soando sai sirene = pau cacete dente
“foram seis marginais, doutor. seis neguinhos marginais, possuídos pelo demônio, doutor. vestidos de carnaval. acabaram com tudo, não existe segurança nessa terra. o que será feito, doutor?
SEIS MARGINAIS, SEU ZÉ, É BRINCADEIRA ? ! ASSALTARAM UM ESTABELECIMENTO COMERCIAL, ESTABELECIMENTO ESSE DO SEU GALEGO, QUE PAGA IMPOSTO COMO TODO TRABALHADOR HONESTO, CUMPRIDOR DOS SEUS DEVERES, NA MAIOR BRUTALIDADE. FECHA A CÂMERA AQUI EM MIM, FECHA, PEREIRA, AQUI, PEREIRA. MOSTRA A CARA, BANDIDOS, PILANTRAS, TEM QUE PASSAR O AÇO, DOUTOR. OH, PARABÉNS AÍ A 13ª, O SENHOR, MUITO OBRIGADO. OLHA AQUI MARGINAIS MAR GI NAIS. VOLTA AQUI, O POVO PEDE SOLUÇÃO, O POVO QUER JUSTIÇA, SACO, PAU, PEDRA, POSTE, CORRENTE, AMARRA, SANGUE NO OLHO, A POPULAÇÃO NÃO AGUENTA MAIS. TA COM PENINHA, LEVA PRA CASA.
mas vamos voltar, coisa boa, liga pra cá, vai perder? não vai né que eu sei, $$$$100 reais só para participar, vem. ligou, alô, ganhou, $$$ CEM PAUS NA HORA, tem vale gás, um fogão, cesta básica, é o amor do povo com você boca grande”
puto, corre até a Sé, sem fôlego, pés descalços, perdeu o chapéu e o tapa olho, mas a cicatriz é de verdade, grande pirata, o rum não lhe falta. o humor não há de falhar, deus o manterá assim, intacto, segue teu rumo, sobe no elevador, parte para tua jornada, sobrevoa esta cidade que é sua, gira ao redor você não é um SUPEROUTRO, você não é,
cão imundo, foguetado à margem, poeta desvairado,
mente sã corpo são
mente sã corpo são
mente sã corpo são
sujos, imundos, ensanguentados
o coração pulsa no último minuto, na ponta do lápis, eterno em seu papel,
um companheiro lambe tuas bolas, tua boca, tua orelha
morre na sargeta, sem pai nem mãe, atrapalhando o tráfego
em plena quarta-feira,
dia cinza,
dia de sango,
aaah quanta ingratidão
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