olha aqui, poesia é bicho
coisa difícil
rever a folha manchada,
a lágrima rolada,
os nosso sentimentos e mais nada
por fim ter que se segurar
nas bordas de um edifício
complicado querer ser gênio
mestre, louco
tentar de tudo um pouco
gritar até ficar rouco
vivendo num sufoco
até que não me sobre mais oxigênio
tomar de assalto e fazer,
numa febre colérica,
que o papel se despedace
o que se almeja
mesmo que ele versasse
a alma e sorversse
o prazer
o que digo,
sofrido,
repito e desisto
poesia é um bicho difícil
rimar, por exemplo, é chato
trabalho dos diabos para querer ser exato
não, não
quero ser só amigo
dessa vastidão sem fundo
que percorre os poros do teu corpo - o mundo
que jorra dos teus olhos fundos
a poesia que hoje se forma
em um sim, não, talvez
certeza é qu’isso é bonito
- sinestesia -
de uma palavra, segura de si,
em laço contínuo
infinito seja a poesia
[domingo, 15 de março, 2015]
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